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Junho 23, 2011

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The Fighter – O Último Round de David O. Russell

Abril 19, 2011

O último round é um filme baseado numa história verídica do mundo do boxe.

Dicky (Christian Bale) foi um lutador promissor que arruinou a sua carreira devido ao vício de crack. Esta história chegou mesmo a originar um documentário que é retratado no filme. Micky (Mark Wahlberg) é o irmão mais novo de Dicky que também resolveu ser pugilista.

Com a carreira arruinada Dicky torna-se treinador do seu irmão sem largar o crack.  Definitivamente o crack limita em muito a sua vida. Felizmente para Micky aparece Charlene (Amy Adams) na sua vida. É necessário romper a ligação familiar que está a aniquila-lo.

Não é fácil enfrentar a mãe de Micky e as suas irmãs, mas Charlene vai estar a altura. Com a mudança de treinador e manager as vitórias começam a sorrir. Apesar de má influência, o seu irmão ensinou-lhe praticamente tudo. Dicky ainda vai ter uma palavra a dizer no combate da vida de Micky.

Não sendo um filme extraordinário, vale pelas excelentes interpretações de Christian Bale e Amy Adams. O “Batman” Christian Bale está talhado para filmes em que é necessário dar uma grande expressividade ao corpo (principalmente o rosto). Foi assim com maquinista onde era um perfeito esqueleto e aqui como drogado. A sua expressividade foi sem dúvida merecedora do oscar para melhor actor secundário. Amy Adams é uma mulher de armas, não há ninguém que consiga impedi-la de fazer o que quer que seja.

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Outra Vida – Hereafter de Clint Eastwood

Fevereiro 18, 2011

Mais um bom filme de Clint Eastwood. Original e com um estilo próprio. Matt Damon surge-nos agora no papel de medium sem querer ser. Uma doença deu-lhe o dom, que considera uma maldição, de comunicar com a vida além morte: colocar em contacto as pessoas com os seus entes queridos falecidos.

Vemos o cruzar de diferentes histórias que no final se unem. George (Matt Damon) é um trabalhador de construção civil. Marie (Cécile de France), uma jornalista francesa de sucesso. Marcus (George McLaren e Frankie McLaren) é uma criança em Londres, com uma mãe alcoólica o e um irmão gémeo que toma as decisões da sua vida.

A morte é figura presente na vida de todos eles e leva ao encontro inevitável. Marcus perde o seu irmão gémeo e enfrenta a solidão e o medo de ter decidir por si. Marie é vítima de uma catástrofe natural que quase a matou e muda a sua vida completamente face ao estilhaços da antiga.

Este é um filme que me marcou e toca a todos que um dia se cruzaram com a morte. A sentiram. É tudo o que posso dizer que experimentei: a sensação de plenitude que nos invade e a proximidade com os nossos entes queridos desaparecidos. Um filme que mexe connosco.

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Cisne Negro – Black Swan de Darren Aronofsky

Fevereiro 15, 2011

Escolho como imagem o poster internacional porque diz muito mais sobre este filme. É certo que Natalie Portman vai ganhar o óscar, David Fincher com Facebook domina a crítica ‘hollywoodesca’ roubando o prémio a Darren Aronofsky,  mas este filme é muito mais do que a sua beleza.

O primeiro Óscar vai para Natalie Portman e é merecido. Vemos Natalie em excelente forma física, ou não fosse as 5 horas diárias de treino e os 1, 6 km de natação todos os dias. À semelhança de Wrestler, Requim for a Dream, Darren Aronofsky mostra-nos mais uma vez a corda banda, agora as suas personagens percorrem a ténue linha entre o bom e o genial. Mais do que a história do ballet, conta-nos o que se tem de abdicar para ser genial: as múltiplas restrições, desde as sapatilhas com ponteira, autênticos aparelhos de tortura, ao não beber ou sair à noite.

Esta é uma história de manipulação e competição entre a dançarina Nina (Natalie Portman) e a sua principal rival, Lilly (Mila Kunis). Conhecemos os bastidores e os meandros do ballet, sentimos as pressões e a teia de intriga tecida pelas outras bailarinas e uma mãe castradora, super-protectora. Surpreendendo todos e até a si própria, Nina torna-se Rainha dos Cisnes. Assistimos a essa transformação, as penas vão crescendo e a pele adquire uma nova textura. Nina vai sendo submetida a uma metamorfose, que nos faz lembrar o filme A Mosca de David Cronenberg.

Se no original ‘Lago nos Cisnes’, a bailarina se vê presa no corpo do cisne, só pode ser libertada pelo amor verdadeiro e o seu príncipe salvador se apaixona por outra, só lhe restando a maldição. Nesta reinterpretação do clássico, a protagonista interpreta os dois papéis: o de cisne branco e o de preto. Na impossibilidade de se comportar como um outro eu, Nina acaba por se destruir a si própria para encarnar a personagem na perfeição.

Sem dar conta somos envolvidos no filme, ocupamos o lugar de espectadores e acompanhamos todos os passos – o conflito iminente entre mãe e filha, a tensão passional entre o director da companhia e a bailarina, as tentações e perigos – até ao desenlace final em catarse.

Suspense e terror são as forças deste filme. Uma viagem excitante a submundos e até ao interior de nós próprios. Um filme que mudou a vida de Natalie Portman, agora noiva e grávida. E nas suas palavras nos Globos de Ouro, o realizador é o culpado de tudo o que lhe aconteceu já que lhe apresentou o pai do seu primeiro filho, o coreógrafo Benjamin Millepied.

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O Senhor Puntila e o Seu Criado Matti de Bertolt Brecht by Teatro Aberto

Fevereiro 11, 2011

Na sala azul do Teatro Aberto encontramos Miguel Guilherme no seu melhor. Um comédia brilhante escrita no início do século (anos 40), na Finlândia. Um parábola sobre o poder e as relações de hierarquia.

Um caso estranho de dupla personalidade, Puntila quando está sóbrio é estupidamente arrogante e tirano, basta beber uns copos para ficar bem-disposto. Esta é a relação confusa do latifundiário bipolar com subordinados, amigos e com quem passa por aquele palco. Oscilando entre os extremos, com rasgos de sobriedade, Puntila surpreende, confunde e leva-nos às gargalhadas. Cuidado se fica nas filas da frente.

Contam-se os prazeres da bebida e a impossibilidade de igualdade entre os homens. A lutas de classe é visível na relação entre o proprietário e o motorista e confidente Matti (Sérgio Praia). Esta comédia de enganos é a versão de  João Lourenço e Vera San Payo de Lemos com bons cenários e um apoio musical de tirar o chapéu: música original tocada ao vivo do luso-iraniano Mazgani e interpretada pelo elenco.

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A Magia de M.C. Escher no Fórum Eugénio de Almeida, Évora

Fevereiro 11, 2011

A Fundação Eugénio de Almeida traz Escher pela primeira vez a Portugal e a Évora. Um bom motivo para viajar rumo ao Alentejo para um fim-de-semana diferente, com Sol, arte e boa mesa. Mas este fim-de-semana é a sua última hipótese, a exposição acaba já no Domingo, dia 13 de Fevereiro.
Com traços a carvão ou em gravuras talhadas em pedra (litografias) e madeira (xilogravuras), o holandês M. C. Escher (1898 – 1972) criou universos fantásticos, onde uma mão desenha outra mão que desenha a primeira, sem nos apercebermos onde acaba o desenho e começa o real. Viajamos pelos mundos impossíveis de Escher, com regras próprias: onde uma forma pode ser simultaneamente côncava e convexa; onde as figuras andam no mesmo momento e no mesmo lugar, escadas acima como escadas abaixo. Pelos seus jogos de perspectiva nos apercebemos da relatividade do nosso mundo, onde nada é absoluto.

Tower of Babel, Day and Night, Drawing Hands e Relativity são algumas das 50 litografias e xilografias do artista que jogava com a arquitectura, a perspectiva e os espaços impossíveis. Depois passe pela loja e traga um puzzle para um dia acabar.

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I see the sea by Ana Maria Araújo Pessanha

Fevereiro 11, 2011

Fui levada às escuras por uma amiga a esta exposição. Para surpresa minha, que nada tinha visto da artista, entrei num submarino. Espreitem o mar nas janelas circulares feito de ondas de papel. Depois vi o mar ondulante por janelas mais largas e senti uma sensação de tranquilidade e plenitude de um mar que nos leva além. Já tenho saudades do mar.

A exposição na Sociedade Nacional das Belas Artes, mesmo em frente à Cinemateca, mostra o trabalho de 2 anos de Ana Maria Araújo Pessanha e as mais de 50 obras expostas ilustram diferentes fases e perspectivas sobre o Mar. Para casa, levem um dos postais ou porque não um dos quadros. A exposição está muito bem organizada e merece uma visita. Foi uma inauguração sem falhas.

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L’ Illusionniste – O Mágico de Sylvain Chomet

Fevereiro 1, 2011

Sylvain Chomet está de volta ao grande ecrã depois do brilhante filme de animação “Belleville Rendez-Vouz”. Que nos traz saudade e é de voltar a ver.

Um argumento inédito de Jacques Tati deu o mote para este novo filme. Tati privilegiava a imobilidade do ecrã e a profundidade do plano fixo, em detrimento da mobilidade da câmara. Perfeito para a animação “tradicional (2D)” de Syvain.

O mágico parte para o Reino Unido, antecipando a crise esperada de público dos seus espectáculos em França. Chega aos locais mais remotos da Escócia, onde o barco é o meio de transporte disponível e o seu trabalho apreciado. É com facilidade que Alice,  uma jovem empregada de bar de sapatos rotos, se fascina com um mundo novo de mágia. Resolve deixar a sua terra e acompanhar o mágico na sua jornada.

Cria-se uma relação paternal que vai preencher a vida de ambos. Os desenhos da paisagem, cidades, época são de um traço inigualável e dispensam as palavra. Os diálogos são mudos. Contudo, talvez por as expectativas estarem elevadas por Belleville Rendez-Vouz, ficamos com a sensação que o filme podia ter ido mais além.

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The Tourist – O Turista de Florian Henckel von Donnersmarck

Fevereiro 1, 2011

O Turista é um remake do filme francês “Anthony Zimmer”, de Jerôme Salle, em que a bela Sophie Marceau fazia parte do elenco. Não temos Sophie Marceau mas Angelina Jolie e Johnny Deep, são motivos suficientes para encarar este novo filme com grande expectativa. Ou não fosse a 2ª longa metragem de Donnersmarck, o realizador alemão que ganhou o óscar de melhor filme estrangeiro, em 2007,  com a A vida dos Outros, que certamente todos se recordam.

Elise Clifton-Ward (Angelina Jolie) espera ansiosamente por reencontrar o amor da sua vida. Um amor interrompido que está no topo das preocupações do inspector da Scotland Yard. John Acheson (Paul Bettany) espera finalmente capturar o falsário que tem como único ponto fraco, Angelina Jolie.

Um autêntico jogo do gato e do rato de mensagens e equívocos, onde Elise se cruza Frank Tupelo (Johnny Depp) , um turista americano que se encontra a caminho de Veneza, que se se vê arrastado para o meio desta aventura. O rosto desconhecido personificado no amor de Elise não causa só incómodo as autoridades. Um inglês mafioso com fortes ligações a Rússia também está no seu encalço. Todos perseguem um homem mistério, cujo a identidade e rosto ninguém conhece.

O suspense criado por este rosto desconhecido envolve-nos até ao desfecho. Surpreendente para uns, previsível para outros. É sem dúvida um filme que merece ser visto. De destacar o cenário, Veneza, a sua luz é captada no grande ecrã.

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The Kids are All Right – Os Miúdos estão Bem de Lisa Cholodenko

Janeiro 26, 2011

Poster de «Os Miúdos Estão Bem»

Nic (Annette Bening) e Jules (Julianne Moore) são um casal de lésbicas de meia-idade com dois filhos adolescentes. Laser (John Hutcherson) é o filho mais novo e o mais curioso acerca da sua verdadeira paternidade. Ele e Joni (Mia Wasikowska) iniciam uma investigação à revelia das “suas mães” que os levam até Paul (Mark Ruffalo).

Paul (pai biológico) é um solteirão dono de um restaurante que vive a vida dia a dia, sem grandes planos para o futuro. Joni que se prepara para ir para a universidade, pressionada pelo desejo do seu irmão mais novo, encontra o pai. E que pai.

A acolhedora casa no Sul da Califórnia vê-se perturbada com a entrada deste novo elemento na família.Tudo se complica quando Jules se sente atraída por ele e descobre uma nova paixão na jardinagem. Abre-se um novo inesperado capítulo nesta família invulgar, mas com todos os problemas das comuns. Os laços familiares são redefinidos e no final tudo se fortalece.

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